Lumiar, em Nova Friburgo, é pioneira no país com primeira cota de reserva ambiental
A Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Rio Bonito de Lumiar, em Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio, será a primeira do país a receber uma Cota de Reserva Ambiental (CRA). O título, emitido pelo governo do Estado do Rio de Janeiro, representa um novo mecanismo de remuneração para proprietários rurais que preservam áreas de vegetação nativa.
A CRA foi apresentada no último dia 30, em evento do Ministério do Meio Ambiente e Clima (MMA) e do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), em Brasília. A iniciativa marca o Rio de Janeiro como o primeiro estado brasileiro a emitir o título, que permite também a regularização de passivos ambientais de forma mais ágil e com menor custo.
A RPPN Rio Bonito de Lumiar protege 160 hectares de Mata Atlântica e foi escolhida pelo Inea como área pioneira para receber a primeira CRA do país, após validação do Sistema Florestal Brasileiro. O evento contou com a presença da ministra Marina Silva e de autoridades ambientais estaduais.
Segundo o Inea, o mecanismo será essencial para a regularização de cerca de 170 mil hectares de passivos de Reserva Legal no estado e para valorizar os 130 mil hectares de áreas já preservadas além do exigido pela legislação.
As cotas serão emitidas a partir do Cadastro Ambiental Rural e registradas no mercado financeiro, permitindo que sejam negociadas entre proprietários, empresas e instituições interessadas em compensações ambientais. O funcionamento deve seguir modelo semelhante ao dos Créditos de Descarbonização (CBIOs) do programa RenovaBio.
De acordo com o diretor de Biodiversidade do Inea, Cleber Ferreira, a medida une conservação e desenvolvimento econômico. Ele destacou que o modelo cria incentivos reais à preservação e pode transformar ativos ambientais em oportunidades de investimento sustentável.
Com a nova política, o Rio de Janeiro busca consolidar uma economia verde baseada na valorização da floresta em pé e em mecanismos de mercado voltados à proteção da biodiversidade, à segurança hídrica e ao enfrentamento das mudanças climáticas.

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